Nascida em Albogas, Sintra, em 1920, a Tia Alice começou a vender leitões quando casou-se com António Silvestre Simões, natural de Negrais. O negócio pertencia à família do marido desde há muito. Numa época em que vender leitões era encarado de soslaio e em que poucas mulheres arriscavam a livre iniciativa, a Tia Alice e a cunhada viajavam sozinhas de comboio, carregando nas alcofas os leitões que  António tinha assado e que seriam vendidos nas feiras de Agualva-Cacém, da Rocha, de Sacavém, da Venda do Pinheiro e todas as da região. Começou assim a nascer a fama dos saborosos leitões à moda de Negrais.




Todas as receitas tradicionais têm um segredo que as faz serem tão apreciadas e o leitão da Tia Alice não é excepção.  No início, os leitões eram assados no velho forno que o sogro da Tia Alice usava para cozer o pão. Talvez para evitar molhar forno e permitir que a massa do pão se estragasse, foi criada uma técnica que marcou o sabor e distingue o leitão de Negrais: sob um alguidar, colocam-se dois pauzinhos ao jeito de jangada onde o leitão aberto é deitado. Hoje em dia, o forno é outro e de grandes dimensões, chegando a assar entre 15 a 20 leitões ao mesmo tempo.

 
 
 

Em 1958 António Silvestre Simões e Tia Alice casam-se e o negócio toma forma. Silvéria, a filha, começa desde cedo a ajudar os pais, fazendo a venda dos leitões assados na “volta”. Torna-se assim um negócio de família de longa tradição até aos dias de hoje. Em 1996 é inaugurado o Restaurante “Tia Alice” em Negrais, mais tarde o restaurante de Loures assim como a loja de Take-away. Todas as gerações participam e contribuem para manter e perpectuar o sucesso destes espaços e manter o segredo bem guardado. Actualmente, Silvéria gere o Restaurante Tia Alice, onde trabalham também as suas filhas Alexandra, Lurdes e Teresa. O saber mantém-se na família e o sabor perdura. A tradição tem uma História.